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A nova gestão pública e a reconfiguração da educação superior

A comunicação analisa criticamente os principais conceitos da Nova Gestão Pública e a sua relação com as práticas de avaliação da educação superior. Observa-se que por um lado essa concepção tende a ampliar a eficiência e a efetividade do setor público, por outro lado tende a subvalorizar tanto as especificidades da natureza pública da gestão. A prestação de contas, os mecanismos de controle e a ênfase nos resultados e na responsabilização dos agentes prestadores dos serviços pelos resultados obtidos. O processo de avaliação educacional baseado na Nova Gestão Pública restringe a complexidade educacional local a indicadores e manuais de “boas práticas”. Leia mais A nova gestão pública e a reconfiguração da educação superior

Golpe em Família

EM BREVE O VÍDEO

Os idosos podem ser vítimas de diversos tipos de golpes, muitas vezes por ingenuidade ou outras vezes a manipulação do idoso ocorre por familiares. As fraudes, os golpes, para com as pessoas da terceira idade podem ser dos mais clássicos, como o do bilhete premiado, aos mais novos como a possibilidade de fazer um empréstimo consignado para um parente. Apesar de que se aproveitar de idoso é crime, muitos veem na fragilidade da terceira idade a possibilidade de obter ganhos.

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Alunos do curso Teatralizando, em um exercício teatral que foi apresentado na confraternização de 2019 de fim de ano do curso, reconstroem de forma humorada esta realidade apresentando a história de três irmãos que se tornam vítimas de uma série de golpes orquestrados pelo filho de um deles.

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Concepções sobre avaliação educacional de intelectuais acadêmicos brasileiros nos anos 1980

Regilson Maciel Borges e José Carlos Rothen


Regilson Borges Maciel
José Carlos Rothen
O artigo discute a constituição do campo da avaliação educacional no Brasil a partir das concepções de intelectuais acadêmicos brasileiros que ajudaram a construir esse campo de conhecimento ao longo da década de 1980. Para esse fim, realizou-se uma pesquisa de caráter bibliográfica e documental, associada às estratégias dos estudos bibliométricos e à análise de conteúdo. Os dados foram organizados em duas principais abordagens de avaliação educacional, uma que enfatiza a avaliação como resultado e a outra cujo enfoque da avaliação é o processo. Nessas abordagens, as concepções dos intelectuais indicam que a avaliação é uma atividade inerente ao fazer humano e por isso não pode ser reduzida a uma ação mecânica, pois implica numa relação de poder e de negociação entre avaliador e avaliado.
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Considerações finais

O artigo apresentou as concepções sobre avaliação educacional de intelectuais acadêmicos brasileiros interessados nesta temática durante a década de 1980, ressaltando como esses autores compreendem o conceito de avaliação dentro de duas abordagens de avaliação, uma que concebe a avaliação como medidas de resultados e a outra que prioriza a participação nos processos avaliativos.

Veja a websérie Conversas sobre avaliação e o curso de extensão gratuito Avaliação institucional da educação

Na abordagem de avaliação baseada em resultados os estudos são basicamente de cunho quantitativo, resultantes de pesquisas sobre a aprendizagem dos alunos e outros baseados em indicadores de produção científica brasileira, tangencialmente aparecem trabalhos que conceituam e definem a avaliação nessa perspectiva objetivista. A avaliação nessa abordagem se confunde com a mensuração do rendimento escolar aferida por meio de testes que possibilitariam medir com rigor a aprendizagem dos alunos. As medidas também se traduzem nos indicadores da produção científica da pós-graduação que indicariam a qualidade dos cursos de mestrados e doutorados no país.

Veja outros textos da pesquisa Avaliação educacional: teorias dos anos 1980. 

Na abordagem de avaliação baseada em processos os estudos são em sua maioria de cunho qualitativo, resultantes de análises teóricas da literatura da área e de proposições de metodologias para a avaliação da educação. A avaliação nessa abordagem aparece como possibilidade de se conhecer como foi construída a teoria em avaliação educacional a partir da literatura estadunidense, assim como evidencia os esforços de estudiosos brasileiros em esboçar uma teoria e prática de avaliação que pudesse ser aplicada à realidade educacional brasileira.

Veja textos sobre Avaliação e Regulação da Educação Superior brasileira:  história e políticas 

Nessa última abordagem se destacam os trabalhos de Pedro Demo com suas ideias iniciais sobre uma prática de avaliação participante e qualitativa, que visava uma educação transformadora, também Ana Maria Saul com sua proposta democrática de avaliação emancipatória para reformulação de cursos e programas educacionais, Menga Lüdke com seu olhar sociológico sobre os fenômenos avaliativos e sua defesa por uma sociologia da avaliação educacional, Cipriano Carlos Luckesi com sua proposta de ultrapassagem do autoritarismo que, por vezes, tem marcado a avaliação escolar e Léa Depresbiteris com seu olhar inovador em torno de uma avaliação da aprendizagem participativa na formação profissional.

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Entretanto, apesar do surgimento dessa linha de análise crítica do papel da avaliação, nota-se que ainda é constante no período, a presença de estudos com forte viés quantitativista, destacando-se os estudos sobre a construção, validação e qualificação técnica de instrumentos de medidas elaborados por Heraldo Marelim Vianna, os trabalhos sobre a avaliação do rendimento dos alunos realizados por Heraldo Marelim Vianna e Bernardete Gatti, as análises sobre os exames vestibulares desenvolvidas por Heraldo Marelim Vianna, Sergio Costa Ribeiro e Adolpho Ribeiro Netto, e as apreciações em torno dos indicadores da produção científica da pós-graduação brasileira tratadas por Simon Schwartzman e Cláudio de Moura Castro.

Veja textos sobre Universidade e nova gestão pública 

É no interior dessas abordagens que os intelectuais e grupos colocam em prática suas relações de complementaridade, nos quais os agentes se tornam detentores de um capital científico fundado no conhecimento e no reconhecimento (BOURDIEU, 2004b), cujo poder consiste na imposição de uma definição da ciência, que se revela nas posições epistemológicas que buscam justificar as estratégias colocadas em ação (BOURDIEU, 1983), assim como também servem para colocar em descrédito os defensores de outras posições. Daí nosso entendimento do campo enquanto espaço estruturado de posições, que é marcado pelas relações de força e disputas de poder (BOURDIEU, 2003), onde o que se encontra em jogo é o monopólio pela legitimidade da autoridade científica (BOURDIEU, 2004b).

Veja Veja textos sobre A qualidade da educação superior: o Sinaes em Foco

No caso específico do campo da avaliação educacional no Brasil na década de 1980 a ideia de complementaridade constitui boa parte da lógica de funcionamento desse campo no país, quando as aproximações entre as duas abordagens de avaliação educacional – avaliação como resultado e avaliação como processo – mostram que avaliar é uma atividade complexa e multidisciplinar, e que por isso mesmo não pode ser reduzida a uma função mecânica, mas trata-se de um ato de poder, e enquanto tal pode ser exercido para a dominação ou para a promoção do bem comum.

Veja textos sobre Discursos impressos e Políticas Educacionais

A exposição da lógica de funcionamento do campo científico a partir da relação de complementaridade presente nas ideias dos diferentes autores que discutem a temática da avaliação no período não exclui alguns dos pressupostos que constituem o campo, tais como a concorrência, as competições, lutas e disputas que são características inerentes ao campo e estimulam o seu funcionamento, mesmo porque complementaridade não quer dizer harmonia, pois neste jogo há os que ganham e os que perdem, sobretudo, se imaginamos que o campo brasileiro da avaliação educacional nos anos 1980 está em processo de constituição, com tudo acontecendo ao mesmo tempo, de maneira complexa e dinâmica, o que nos possibilita, inclusive, um olhar sobre quem nele está entrando e quais as posições assumidas.

 Veja textos sobre orientações de Metodologia do Trabalho Científico

Política, docência e diversidade espaços de, na e para a Universidade

José Carlos Rothen (publicado em 22/01/2020 e atualizado em 06/03/2020)

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Podemos utilizar diversos termos para definir a Universidade, como por exemplo: docência, política, professor, diversidade, conhecimento e muitos outros. Nesta fala, vou destacar os termos política, docência e diversidade, e relacioná-los com a Universidade como proposto no título desta fala

Política e educação

Como nos diz Paulo Freire, educar é um ato político. A educação pública gerida pelo Estado forma o cidadão que irá conviver na sociedade.  A educação é política por definir o cidadão desejado:  se a expectativa for um cidadão que seja participante ativo nas decisões, teremos um certo tipo de educação.

Se desejamos um cidadão que seja submisso às regras e a tudo que ocorre no mundo do trabalho, teremos um outro tipo de educação.  Mesmo aqueles que defendem que a educação não é uma ação política elaboram sua crítica à educação atual a partir da ideia de que a educação é política. Vamos esclarecer com um exemplo:  os defensores da “escola sem partido”, quando afirmam que os professores estão doutrinando seus alunos e que precisam defender os alunos dessa doutrinação, no fundo estão dizendo que consideram que a educação forma um cidadão com ideias equivocadas, de esquerda.  Ou melhor, entendem que a escola prepara um cidadão que eles não desejam.  Por isso, para eles, é muito caro a criação de mecanismos de controle.

Diversidade

O tema da diversidade sempre esteve presente na Universidade. Ou para negar a possibilidade de uma diversidade, ou para afirmar que existe essa diversidade, ou tomá-la como base para com suas políticas.  Tanto no sentido de valorizar a diversidade como no sentido de usar a diversidade para hierarquizar a Universidade, ou em outras palavras, separar aqueles que têm capacidade daqueles que não têm, de premiar aqueles que são capazes e de excluir aqueles que são incapazes de aprender.

O termo diversidade deve ser utilizado no plural, nós temos diversas diversidades, por exemplo: diversidade de etnia (brancos, amarelos, negros e vermelhos), de gênero (masculino, feminino etc.), de religiosidade (acreditam em Deus e outros não acreditam,  alguns são protestantes outros são católicos, outros são muçulmanos e assim por diante), regionais (eu, que nasci no Paraná e cresci em São Paulo,  tenho algumas características que me diferenciam daqueles que nasceram no norte e nordeste).

Em minhas leituras percebi que nós temos que tomar cuidado ao utilizarmos os termos diferença e diversidade: nós podemos ter diferenças filosóficas e políticas e não necessariamente sermos diversos. Normalmente, quando se pensa em diversidade. pensa-se também em diferença, mas o contrário não é necessário. Não entrarei aqui na conceitualização dos dois termos, mas desejo sinalizar aqui que não são iguais. Em alguns momentos desta fala usarei os dois termos como sinônimos.

Diversidade, desigualdade e opressão

A discussão da diversidade surge no contexto do debate e, principalmente, na luta contra a desigualdade e a opressão.

Na tradição marxista a desigualdade é discutida a partir da matriz das relações de produção.  A desigualdade e a opressão são resultados da exploração do proletariado pela burguesia. A burguesia na sua expansão busca aumentar significativamente a mais-valia, o que implica em oprimir a classe trabalhadora. Nesta tradição, as questões da diversidade, são secundarizadas, ou até marginalizadas. A mulher operária é tão explorada e oprimida quanto o homem operário. A opressão será superada com a revolução socialista com o fim da luta de classes.

Os movimentos sociais, quando incorporam a questão da diversidade, apontam que a questão da desigualdade e da opressão não se resume à questão da luta de classes.  A mulher proletária também pode ser oprimida pelo homem proletário.  No mercado de trabalho, ou no mercado da venda da força de trabalho, as condições da mulher operária são piores que as condições do homem operário.

Nos dias de hoje, é muito comum ouvir no discurso crítico a questões da diversidade, a afirmação de que os movimentos sociais que levantam bandeiras em favor da diversidade são movimentos de esquerda, ou ainda, numa linguagem da década de 1970, que são movimentos comunistas. Em geral os movimentos de esquerda são favoráveis às bandeiras da diversidade, mas nem sempre movimentos sociais vinculados aos temas da diversidade são de esquerda. Esses movimentos têm em comum a luta contra a desigualdade e a opressão.

Em um primeiro momento, os movimentos que lutam contra a opressão no âmbito da diversidade têm em sua bandeira principal a defesa da igualdade. Por exemplo: o movimento feminino em defesa do voto, ou do direito da mulher poder exercer qualquer profissão, é um movimento que busca a igualdade entre o homem e a mulher. Outro exemplo é a luta de Martin Luther King nos Estados Unidos, a luta pelos direitos civis dos negros. Esta é uma luta que busca ou afirma a igualdade entre os brancos e os negros.

No momento em que a questão da diversidade entra em campo não adianta apenas buscar a igualdade, mas há a necessidade de reconhecer a diferença.  Por exemplo:  a mulher não é apenas igual ao homem, ela tem especificidades biológicas e fisiológicas. Todos nós precisamos de proteção do Estado em relação à violência do outro, mas as mulheres precisam ser protegidas da violência dos homens sobre elas e por isso necessitam de uma especificidade das ações públicas.  Neste caso, apenas a igualdade não consegue superar a opressão e a desigualdade, torna-se então necessárias ações específicas para a proteção da mulher. Há a necessidade de superarmos a questão cultural de que o homem tem todos os direitos e a mulher tem que se submeter a todos os desejos dos homens. Mais que uma questão de defesa da igualdade, é uma defesa do reconhecimento que a mulher é diferente, ela é diversa.

Outro exemplo é o movimento negro, que percebe que não adianta apenas lutar pela igualdade de direitos entre brancos e negros. É uma luta também pela sua especificidade, que parte da exigência do respeito às manifestações culturais, do reconhecimento que o racismo criou uma estrutura de exclusão, que é preciso realizar ações para que seja superada a opressão dos negros, por exemplo: a luta pela criação de políticas de cotas nas universidades.

Hierarquização social

O padrão de excelência da nossa sociedade é do homem branco, adulto, heterossexual, cristão e da classe dominante (da qual a classe média tem a ilusão de fazer parte). A bandeira da diversidade recusa a ideia de que todos têm o direito de se tornarem iguais a este modelo. Assim temos expressões que parecem aceitar a igualdade, mas não respeitam a diversidade: “ele é um negro de alma branca”, “ela trabalha tanto como um homem”, “ele é gay, mas é honesto”. Quando a temática da diversidade emerge, as bandeiras de luta deixam de ser exclusivas da igualdade e passam para a luta pelo reconhecimento da diversidade. O movimento feminino, o movimento negro, o movimento LGBT entre outros lutam pelo reconhecimento da diversidade e da sua valorização.

Alguém pode dizer que defender a diversidade ao invés de lutar pela igualdade pode acabar justificando as desigualdades sociais, que bastaria o homem padrão reconhecer a diversidade e tratar bem aqueles que lhe são inferiores. Ou seja, a bandeira da igualdade seria mais importante que a bandeira da diversidade. Boaventura de Sousa Santos traz uma boa solução para o conflito entre a luta pela igualdade e pela diversidade: “com concepções concorrentes de igualdade e diferença, as pessoas e os grupos sociais têm o direito a ser iguais quando a diferença os inferiorizam, e o direito a ser diferentes quando a igualdade os descaracterizam”. (Santos, 1997 p. 30).

Política da diversidade

O reconhecimento da diversidade, ao tornar-se uma política de diversidade, demanda do Estado ações institucionais em sua defesa. Podemos exemplificar com a delegacia da mulher, que apesar de estar situada dentro da estrutura policial, é uma nova forma de organização da polícia para atender às demandas das mulheres. Outro exemplo é o Supremo Tribunal Federal ao reconhecer a equivalência da união entre casais heterossexuais e casais homossexuais.

A diversidade não é igual à divergência. A diversidade do ser mulher, ou homossexual, ou negro, ou católico não consiste em estar em divergência com o outro.  Podemos ter divergência sobre o que é ser mulher, ser homossexual, ser negro etc. A divergência sobre estas temáticas não são negativas. Nossa ação e forma de se posicionar no mundo exigem que construamos uma visão de mundo, a partir da qual agimos. Os outros animais em geral parecem que não colocam em questão o que é ser cachorro, leão, ou ainda, ser peixe. Apesar que muitos dos animais podem ser adestrados negando o que pensamos ser o instinto natural deles.

As divergências sobre a diversidade, em uma sociedade democrática, consistem em uma busca contínua de construção do mundo em que vivemos.

Embate político

Quando pensamos na discussão das políticas sobre a diversidade pensamos também na compreensão de que os embates ocorrem entre concepções de diversidade e dentro delas. A ideia de paradigma de Thomas Kuhn nos ajuda a compreender como ocorrem estes embates. Ao estudar a história da ciência, Kuhn propõe que a ciência não avança em um progresso contínuo, como aponta a visão positivista, mas a partir de revoluções e rupturas epistemológicas. A ciência constrói paradigmas para interpretar o mundo. De forma grotesca temos: os paradigmas sãos os fundamentos, os princípios básicos que permitem a construção de explicações do mundo.

Quando o embate político ocorre dentro de um mesmo paradigma, busca-se refinar as soluções para os problemas que o paradigma levanta sobre a realidade. Quando o embate ocorre entre paradigmas, o embate consiste no questionamento e na afirmação dos fundamentos dos paradigmas.

Por exemplo: no tema da diversidade, dentro do paradigma daqueles que compreendem que a diferença ou a diversidade é um direito, o embate pode se dar, por exemplo, na discussão conceitual entre diversidade e diferença. Quando o embate é entre paradigmas, o embate pode ocorrer se a maioria tem o direito de manter os seus valores sobre a minoria ou não, ainda se os valores que devemos adotar são os do homem branco, heterossexual, cristão e da classe dominante ou não.

As discussões ocorrem em níveis diferentes: de uma forma mais qualificada, ao se discutir na busca de fundamentações teóricas para as posições, ou no campo da ideologia; quando simplificamos as discussões teóricas para movimentar as massas em um determinado sentido; ou no campo do humor, quando se busca mostrar o absurdo de determinadas posições; ou na deturpação da realidade, as fake news.

O embate político, muitas vezes, pressupõe o uso da força. Por exemplo: o movimentos das atrizes da globo “Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas’, diante da denúncia de assédio do ator José Mayer, é um  movimento que, para convencer as pessoas de que o assédio não é aceitável, utiliza-se da força do movimento de indignação para exigir algum tipo de punição.

Em muitas situações o uso da força se torna um ato de violência física ou moral.

A primeira e a última tentação de Cristo

Os audiovisuais A Última Tentação de Cristo (1988) de Martin Scorsese e A Primeira Tentação de Cristo (2009) e o Especial de Natal do grupo Porta dos Fundos têm em comum o fato de retratar o Cristo a partir da sexualidade. O filme de Martin Scorsese apresenta o Cristo tendo um relacionamento com Maria Madalena, no especial do Portas dos Fundos, apresenta-se um Cristo homossexual. Provavelmente o especial esteja fazendo referência ao filme de 1988. Os dois audiovisuais receberam forte reação negativa de grupos religiosos.

A reação negativa de grupos religiosos ao filme gerou um embate político que passou pelo uso da força e, em alguns casos, da violência.  Cito, o ataque a bombas à sede do Porta dos Fundos na véspera de Natal. Do uso da força, aponto a convocação de um boicote à assistência dos dois audiovisuais e aos seus produtores.

Ainda no uso da força, um grupo religioso solicitou na justiça a censura do especial. O embate político, na justiça e posteriormente nas redes sociais, passa-se no campo dos fundamentos do paradigma. O desembargador que concedeu a liminar suspendendo a divulgação do especial fundamenta sua posição na compreensão de que os grupos majoritários em uma sociedade devem ter suas concepções preservadas sobre outros grupos. Em suas palavras: “não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade brasileira, majoritariamente cristã”. Quando a questão foi ao Supremo Tribunal Federal, a liminar foi cassada com o argumento de que a liberdade de expressão é “um direito fundamental do indivíduo e corolário do regime democrático”.

Sem entrarmos no mérito da questão, o que se discutiu na justiça não foi se o Cristo foi bem representado ou não, se o episódio é de qualidade ou não. A discussão era se a compreensão da visão da sexualidade do Cristo por uma suposta maioria poderia ser ou não tratada por grupos divergentes.

Para não me esquivar da questão, na minha opinião, os grupos religiosos têm o direito de dizer não assistam, mas não têm o direito de proibir qualquer manifestação cultural. Contudo, o que quero com este exemplo é mostrar o embate político sobre a diversidade.

E a Universidade? e a docência?

Estamos caminhando para o final da minha fala e ainda falta trazer a Universidade e a docência para nossa conversa.

De forma simplificada digo que a docência é uma relação professor-aluno, na qual o professor faz a transposição didática dos conhecimentos científicos e culturais para serem tratados na relação pedagógica. Essa transposição pode ser mais conservadora ou mais progressista, conteudista, escolanovista, construtivistas etc. Sempre é uma transposição que em alguns momentos significa fragmentar a realidade, ou simplificar a realidade para poder estudar, como estamos fazendo aqui.

A docência não é um ato neutro. Na docência tomamos posição. O simples fato de trazer ou não a discussão da diversidade para o espaço acadêmico é uma tomada de posição. Essa posição é acadêmica, como política, pois influi na sociedade. Na transposição didática, que é posicionada, compete ao professor a imparcialidade. Imparcialidade que significa trazer posições diferentes da dele para o debate.

Na questão da diversidade, a docência faz a transposição das questões da luta pelo reconhecimento da diversidade para temáticas que possam ser tratadas em sala de aula. Esta transposição como um ato político irá formar mentalidades. Voltando o embate político sobre assédio que envolveu o ator José Mayer, em sua carta de pedido de desculpa ou de defesa o ator diz: “tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas”. Esta fala dele não diminui a sua culpa, mas nos traz para reflexão que a docência é um espaço fundamental para que façamos a mudança de mentalidade. A transposição didática do docente é um ato político que permite esta mudança de mentalidade.

Para ilustrar esta mudança de mentalidade sugiro que assistam “o mundo tá chato”

A Universidade, onde ocorre docência, sem esquecer da educação básica, tem como seu norte constitucional a realização do ensino, a pesquisa e a extensão. A docência, enquanto parte da Universidade, é chamada pela sociedade a trazer os seus temas, a trazer o tema da diversidade para o centro de suas pesquisas e do ensino, buscando contribuir com o conhecimento científico daí derivado e com as suas atividades de extensão.

Não basta o tema da diversidade estar presente, a Universidade precisa se repensar na sua organização para que efetivamente possa reconhecer em suas estruturas a diversidade, tanto no campo do direito quanto no campo da sua riqueza. Um exemplo do reconhecimento da diversidade são as políticas de cotas, que na minha opinião, não são simplesmente para facilitar a entrada de alunos negros, indígenas e provenientes da escola pública (faço um parênteses para dizer que as políticas de cotas ainda são meritocráticas, apenas um pequeno grupo entra na Universidade. A política facilita a entrada, pois se tomarmos a nota de corte do último candidato que entra por política de cotas na UFSCar, por exemplo, na maioria dos cursos é muito próxima da nota do último candidato que entra pela ampla concorrência).

O que quero afirmar aqui é que a política de cotas quebra a ideia de que a Universidade pública é apenas para os brancos de classe média. É de reconhecer que há diversidade. Muitos outros exemplos podemos citar, de ações organizacionais para atender a diversidade.

Concluo esta minha fala resgatando o título de minha fala.

A docência, a política, e a diversidade são:

  • Espaços que a sociedade se pensa NA Universidade.
  • Espaços da Universidade de exercer a crítica
  • Espaços para a Universidade reconstruir-se.

Referências

Palestra ministrada

= II Congresso Brasileiro de Pedagogia Universitária. em 21/01/2020 na Unesp/Rio Claro

= Aula Inaugural da Pós-graduação lato sensu em Coordenação Pedagógica 06/03/2020 na UEMS/Dourado

 

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Política, docência e diversidade espaços de, na e para a Universidade de José Carlos Rothen está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

Mecanismos de Avaliação e Regulação da Universidade Federal Brasileira no Reuni: Entre a Proposta e o Contrato

Géssica Priscila Ramos, José Carlos Rothen e Maria Cristina da Silveira Galan Fernandes


O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído em 2007, teve como objetivo central expandir o acesso e a permanência na educação superior, com base em contrato estabelecido entre o Ministério da Educação (MEC) e a Universidade Federal com a definição das condições necessárias à ampliação física, acadêmica e pedagógica da rede federal. Leia mais Mecanismos de Avaliação e Regulação da Universidade Federal Brasileira no Reuni: Entre a Proposta e o Contrato

Abordagens de avaliação educacional: a constituição do campo teórico no cenário internacional

Regilson Maciel Borges e José Carlos Rothen

Este artigo apresenta uma revisão teórica das principais abordagens de avaliação que marcaram a trajetória da avaliação educacional no cenário internacional. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica que, referenciada na literatura da avaliação, busca estudar as variadas dimensões e os diferentes sentidos que constituíram historicamente o campo da avaliação educacional. São descritas sete abordagens de avaliação: a avaliação baseada em objetivos, a avaliação baseada na lógica científica, a avaliação baseada no valor agregado, a avaliação a serviço da decisão, a avaliação orientada para consumidores, a avaliação centrada nos participantes e a avaliação qualitativa. Cada uma dessas abordagens é caracterizada segundo seus protagonistas, objetivos, enfoques conceituais, orientações teóricas decorrentes de pressupostos metodológicos e os estudiosos que deram continuidade nas suas respectivas abordagens. Essa literatura internacional exerceu forte influência sobre os pesquisadores brasileiros da avaliação que, fundamentados nesses referenciais, buscaram sustentar uma área de conhecimento que ainda se encontra em processo de constituição e fortalecimento em nosso país.
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Considerações finais
Este artigo analisou a constituição teórica do campo da avaliação no cenário internacional a partir da contribuição de estudiosos que sistematizaram diferentes abordagens existentes no campo da avaliação educacional, com destaque para as abordagens de avaliação centradas nos objetivos, na lógica científica, no valor agregado, no serviço para a decisão, nos consumidores, nos participantes e no enfoque qualitativo.
A avaliação baseada em objetivos busca determinar se os objetivos educacionais foram atingidos. Os principais autores dessa abordagem são Tyler, Metfessel, Michael, Bloom, Hammond, Popham e Steinmetz. Suas vantagens são a fácil utiliza- ção, a aceitabilidade e o foco nos resultados. As principais críticas a essa abordagem se concentram no seu foco exclusivo nos resultados, no reducionismo que gera e na sua linearidade.

Veja outros textos da pesquisa Avaliação educacional: teorias dos anos 1980. 

A avaliação baseada na lógica científica se equivale à pesquisa científica e, enquanto tal, segue a mesma lógica do método científico. Os principais autores dessa abordagem são Campbell, Stanley, Suchman, Cronbach, Lindquist, Snow, Boruch, Glass, Maguire, Wiley, Bock, Klineberg, James, Herzog e Fleck. As vantagens dessa abordagem são o foco nos resultados e a credibilidade. Suas desvantagens se direcionam às aplicações da experimentação em assuntos humanos.
A avaliação baseada no valor agregado procura determinar o quanto a escola contribui para o crescimento de seus alunos. Os principais autores dessa abordagem são Sanders, Horn, Webster, Mendro, Almaguer e Tymms. As vantagens dessa abordagem são a criação de banco de dados, o uso eficiente de testes padronizados e o progresso contínuo. Suas desvantagens são a forte dependência do quantitativo, o não detalhamento das entradas e dos processos do programa e a pouca utilização de métodos qualitativos.

Veja  Avaliação e Regulação da Educação Superior brasileira:  história e políticas 

A avaliação baseada no serviço para a decisão fornece informações para que os programas melhorem seus serviços. Os principais autores dessa abordagem são Stufflebeam, Alkin, Cronbach, Patton, Reichardt e Wholey. Suas vantagens são o atendimento de necessidades específicas, a ajuda na decisão, a apresentação lógica das informações, o equilíbrio no uso de métodos quantitativos e qualitativos, e seus princípios democráticos. As desvantagens são a perda de independência dos avaliadores, a ênfase excessiva na avaliação formativa e a pouca dedicação à avaliação somativa.
A avaliação baseada nos consumidores é vista como um processo de determina- ção de mérito e valor. Os principais autores dessa abordagem são Scriven, Glass, Ken Komoski, Morrisett e Stevens. Suas vantagens são a ênfase numa avaliação independente e objetiva, com redução do fator subjetivo, e a alta credibilidade com grupos de consumidores. Suas desvantagens estão relacionadas à sua independência, pois pode intimidar a inovação e sufocar a criatividade.

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A avaliação baseada nos participantes visa descobrir, investigar e abordar os problemas de um programa. Os principais autores dessa abordagem são Stake, Denny, MacDonald, Parlett, Hamilton, Rippey, Smith e Pohland. As vantagens dessa abordagem são o uso de métodos qualitativos, a triangulação de diferentes fontes, a participação dos interessados na avaliação e a comunicação eficaz dos resultados. As desvantagens são a falta de credibilidade externa e de independência dos avaliadores e a pouca clareza dos resultados.
A avaliação qualitativa se baseia nas perspectivas valorativas dos interessados. Os principais autores dessa abordagem são Guba, Lincoln, MacDonald, House, Parlett, Hamilton, Halpern, Bhola, Schwandt e Fetterman. As vantagens dessa abordagem são os processos de negociação, as orientações democráticas, a descrição detalhada e a liberdade de escolha dos métodos. Suas desvantagens estão na dificuldade da produção de relatórios devido ao envolvimento e à interação contínua entre avaliador e avaliados.
As abordagens de avaliação descritas no quadro da revisão téorica realizada neste estudo, além de fornecerem uma compreensão do desenvolvimento histórico e conceitual do campo da avaliação no cenário internacional, também oferecem, aos interessados pela avaliação, a possibilidade de escolha daquela abordagem que julgarem mais apropriada para responder à natureza de determinado problema educacional. Nesse caso, o avaliador precisa, necessariamente, dispor de liberdade para elaborar o planejamento da avaliação, escolher os instrumentos a serem aplicados e participar efetivamente na execução do plano de avaliação – sem contar a necessidade de se observar as diferentes realidades a serem avaliadas e de incentivar o envolvimento dos demais membros no processo avaliativo. Caso contrário, corre-se o risco de que o avaliador pareça o único responsável pela avaliação.
Entendemos que, de alguma maneira, as abordagens de avaliação apresentadas influenciaram e continuam presentes em nossas práticas e estudos de avaliação. No passado, em nosso cenário educacional, essas abordagens marcaram fortemente a produção científica brasileira sobre o tema que, inicialmente focada na ideia tyleriana de avaliação como atividade final para alcançar objetivos, passou, com o tempo, a incorporar outras alternativas metodológicas de cunho mais qualitativo para a avaliação, com destaque para as concepções de Scriven, Stake, Stufflebeam, Parlett e Hamilton, incluindo a dimensão política de MacDonald e democrática de House. Ainda hoje os conceitos de avaliação somativa e formativa de Scriven têm orientado nossos estudos, assim como a proposição de Guba e Lincoln em torno da ideia da avalição como negociação e a presença do estudo de caso como técnica de pesquisa na avaliação, conforme proposto por Stake, Guba e Lincoln e MacDonald.
De modo geral, compreendemos que essa literatura internacional, traduzida nas abordagens de avaliação expostas, exerceu forte influência sobre os pesquisadores brasileiros da avaliação que, fundamentados nesses referenciais, buscaram sustentar uma área de conhecimento que ainda se encontra em processo de constituição e fortalecimento em nosso país. A adoção dessas fontes marcou um novo momento para os estudiosos brasileiros da avaliação que, munidos por essa literatura, passaram a desenvolver referenciais teóricos alternativos ao modelo tecnicista de avalia- ção predominante até então. Com isso criaram espaço para o surgimento, em nosso meio, da chamada avaliação emancipatória.

Políticas de cotas: um estudo de meta-avaliação nas universidades estaduais paranaenses

O texto apresenta uma meta-avaliação das políticas de cotas em universidades estaduais paranaenses. O objetivo foi analisar os processos avaliativos dessas políticas quanto a semelhanças e diferenças, potencialidades e limites, estratégias e procedimentos utilizados. Foram realizadas análise documental e entrevistas, sistematizadas com a análise do conteúdo. Leia mais Políticas de cotas: um estudo de meta-avaliação nas universidades estaduais paranaenses

Os alicerces da avaliação educacional no Brasil: a elaboração teórica de intelectuais na década de 1980

Autor Regilson Maciel Borges

Tese de doutorado defendida na UFSCar defendida em 31/03/2017

A pesquisa analisa a configuração do campo científico da avaliação educacional no Brasil na década de 1980, tendo como ponto de partida a identificação de autores brasileiros que ajudaram a construir o campo e as suas respectivas contribuições teóricas sobre a temática em questão. Leia mais Os alicerces da avaliação educacional no Brasil: a elaboração teórica de intelectuais na década de 1980

Curso de extensão gratuito: avaliação institucional da educação

A websérie Conversas sobre avaliação agora também será oferecida em breve na versão curso de extensão pelo Portal de Cursos Abertos (PoCA) da Secretária de Educação a Distância da UFSCAR.
Inscreva-se no curso

Ao acessar o site do PoCA será solicitado um cadastro, que é utilizado para a inscrição no curso. Depois da inscrição você receberá um e-mail para confirmar a inscrição. CASO não receba  o e-mail de confirmação verifique a sua caixa de Spam, ou se digitou o e-mail corretamente. Caso tenha dificuldades escreva para contato@poca.ufscar.br

Todos os cursos do Portal são gratuitos. Leia mais Curso de extensão gratuito: avaliação institucional da educação

Avaliação institucional: o caso da UFSCar

Autora Joelma dos Santos [Bernardes]

Dissertação defendida na UFSCar em 24/02/24

Esta Dissertação de Mestrado tem o objetivo de investigar a atuação da Comissão Própria de Avaliação (CPA) em articulação com os processos de autoavaliação institucional. Leia mais Avaliação institucional: o caso da UFSCar

A avaliação externa das escolas e a formação continuada de professores: o caso paulista

Andréia da Cunha Malheiros Santana e José Carlos Rothen
Este artigo tem como objetivo discutir o impacto do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) e do Índice de Desenvolvimento da Educação no Estado de São Paulo (IDESP) na formação continuada de professores. Leia mais A avaliação externa das escolas e a formação continuada de professores: o caso paulista

Produção de conhecimento sobre avaliação educacional publicada no Brasil durante a década de 1980

Regilson Maciel Borges e José Carlos Rothen

 

O artigo apresenta mapeamento da produção de conhecimento sobre avaliação educacional publicada no Brasil durante a década de 1980. O referencial teórico e metodológico se baseou na literatura que discute os procedimentos para a coleta de dados em estudos bibliométricos. Leia mais Produção de conhecimento sobre avaliação educacional publicada no Brasil durante a década de 1980

Agências de avaliação e acreditação na Educação: conceitos e experiências

No artigo “Agências de avaliação e acreditação”, escrito por Gladys Barreyro e Gabriella Hizume, são apresentados diversos modelos de agências de avaliação e acreditação aplicados no Brasil e no mundo para atestar a qualidade das Instituições de Ensino Superior Leia mais Agências de avaliação e acreditação na Educação: conceitos e experiências

A concepção de qualidade na Revista Ensino Superior (SEMESP) no período de 2000 a 2010

Autora Leticia Bortolin

Dissertação de mestrado defendida na UFSCar em 30/06/2017

O presente trabalho possuiu como objetivo compreender como é(são) tratada(s) a(s) concepção(concepções) de qualidade do Ensino Superior privado expressa(s) na Revista Ensino Superior (SEMESP), no contexto mercadológico, no período referente aos anos de 2000 a 2010. Leia mais A concepção de qualidade na Revista Ensino Superior (SEMESP) no período de 2000 a 2010

Abordagens de avaliação educacional: a constituição do campo teórico no cenário internacional

Regilson Maciel Borges e José Carlos Rothen

Este artigo apresenta uma revisão teórica das principais abordagens de avaliação que marcaram a trajetória da avaliação educacional no cenário internacional. Leia mais Abordagens de avaliação educacional: a constituição do campo teórico no cenário internacional

Os intelectuais da libertação e o intercâmbio educativo: uma leitura gramsciana da Revista Eclesiástica Brasileira (1972 – 1986)

autor: Egberto Pereira dos Reis

Tese de doutorado defendida na UFSCar em 21/11/2014

Esta tese tem como objeto de pesquisa a Revista Eclesiástica Brasileira REB, no recorte de 1972 a 1986, e como um grupo de intelectuais se articulam fundamentados em um ideário, estabelecendo uma proposta educativa junto às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Leia mais Os intelectuais da libertação e o intercâmbio educativo: uma leitura gramsciana da Revista Eclesiástica Brasileira (1972 – 1986)

Proposta metodológica para análise dos resultados de avaliações dos cursos de graduação

Autora Alessandra Maria Sudam

Dissertação defendida na UFSCar em 10/12/2015  [orientador principal Mauro Rocha Côrtes]

Esta pesquisa insere-se no campo da avaliação institucional, em específico, a avaliação dos cursos de graduação, tendo como objetivo o desenvolvimento de uma proposta metodológica para análise dos resultados de processos de avaliação, como forma de subsidiar em uma perspectiva ampla a tomada de decisão e, mais especificamente, os processos de reformulação curricular. Leia mais Proposta metodológica para análise dos resultados de avaliações dos cursos de graduação

Os resultados do Enade e a Universidade Pública

Os resultados do ENADE 2017 reforçam a ideia de que as Universidades públicas oferecem ensino de qualidade elevada.  Nas entrevistas à EPTV exponho que a educação superior não é uma mercadoria, mas uma ação de formação que exige investimento para a realização do ensino, pesquisa e extensão de qualidade.

Entrevista à EPTV São Carlos e Araraquara

Entrevista à EPTV Ribeirão Preto e Franca

 

As Armadilhas do Discurso sobre a Avaliação da Educação Superior

José Carlos Rothen, Andréia da Cunha Malheiros Santana, Regilson Maciel Borges

Os discursos das propostas de avaliação da educação superior tornam-se armadilhas ao não articularem o seu para quê?, para quem?, o quê? e como?. Neste artigo, explicita-se como tais armadilhas são construídas a partir da análise de uma proposta de planejamento e avaliação de uma instituição pública do Estado de São Paulo. A análise da proposta tem como base as ideias de Paulo Freire e outros autores que investigaram a proliferação dos sistemas de avaliação como controle. Conclui-se que, na construção discursiva das diferentes propostas de avaliação, frequentemente, está presente a ideia de controle. Embora utilizem um discurso emancipatório, elas instauram um instrumento de controle quantitativo que pode gerar um aumento da exclusão, do produtivismo e da competição. Leia mais As Armadilhas do Discurso sobre a Avaliação da Educação Superior

Policies for Evaluation and Regulation of Higher Education in Brazil (1995-2010), supporting the expansion of private higher education

Gladys Beatriz Barreyro
José Carlos Rothen
Andréia da Cunha Malheiros Santana
This paper analyzes the routes of the evaluation of higher education in Brazil, from 1995 until 2010. In 1995, during Fernando Henrique Cardoso’s administration, higher education began a process of expansion through private enterprise. At that time, evaluation had a key role. The focus was the evaluation of courses conducted by the Ministry of Education by the application of an assessment test to measure the quality of the system. With the results of this test, a ranking of institutions was created, and used later by these institutions for publicity purposes. Since 2003, after Luiz Inácio Lula da Silva assumed the Presidency of the Brazilian Republic, the evaluation of higher education has been revised and institutionalized with the establishment of the National Higher Education Evaluation System (SINAES). This system displays a shift in the focus of evaluation, from institutional competition to quality improvement. However, since Lula’s second administration, evaluation has had extra features: new indices have been created and the rankings have arisen again, this time conducted by the Ministry of Education itself. Gladys Beatriz Barreyro, José Carlos Rothen & Andréia da Cunha Malheiros Santana 215 | P a g e This paper examines the role of evaluation at those different moments, in Brazil, according to the context of changes resulting from globalization processes. Leia mais Policies for Evaluation and Regulation of Higher Education in Brazil (1995-2010), supporting the expansion of private higher education

O discurso da gestão democrática na Revista Brasileira de Política e Administração da Educação (1995-2004)

Ana Lucia Calbaiser da Silva; Jaime Farias ;José Carlos Rothen

Este estudo buscou investigar a participação da Revista Brasileira de Política e Administração da Educação (RBPAE) na construção do discurso educacional brasileiro, a partir da análise dos artigos publicados nessa revista no período de 1995 a 2004. A metodologia pautou-se pela articulação da bibliometria com a análise do discurso foucaultiana. A RBPAE foi considerada, neste estudo, como veículo de divulgação científica que participou do processo de dispersão do discurso educacional por meio da preponderância do discurso da gestão democrática. Leia mais O discurso da gestão democrática na Revista Brasileira de Política e Administração da Educação (1995-2004)

A atuação dos intelectuais da libertação nas páginas da REB no período de 1972 a 1986

Egberto Pereira dos Reis e José Carlos Rothen

O presente artigo tem como objetivo descrever como os intelectuais da libertação atuaram entre os anos de 1972 a 1986, descritos na Revista Eclesiástica Brasileira. Leia mais A atuação dos intelectuais da libertação nas páginas da REB no período de 1972 a 1986

As avaliações externas no âmbito do modelo neoliberal: o caso do SARESP

Andréia da Cunha Malheiros Santana José Carlos Rothen

Este artigo é parte de uma pesquisa de pós-doutorado e tem como objetivo pontuar o surgimento e consolidação da avaliação externa intitulada SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) como uma política pública neoliberal que visa aumentar o controle do Estado sobre o que é ensinado na educação básica e estimular a competição entre as escolas. Leia mais As avaliações externas no âmbito do modelo neoliberal: o caso do SARESP

Tecnocracia e educação: a utopia político-social saintsimoniana

Tecnocracia e educação: a utopia político-social saintsimoniana
Flávio Reis Santos José Carlos Rothen
O objetivo do presente estudo é o de identificar a fundamentação tecnocrática contada na obra de Saint Simon para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, bem como apontar a utilidade instrumental do campo educacional para a adequação dos sujeitos aos padrões definidos e/ou convencionados pela sociedade. Para tanto, optamos por empreender uma pesquisa de cunho bibliográfico, na razão em que acreditamos que os livros e as obras de referência constituem fonte perene da qual é possível retirar as evidências de que precisamos para sustentar teoricamente as nossas declarações e argumentações. No seio da utopia saintsimoniana, concluímos que a sociedade tecnocrática pode ser apreendida pela primazia da eficiência técnica produtiva, pela utilização e aplicação racional dos recursos materiais e intelectuais, pela valorização das atividades inerentes ao exercício da autoridade profissional na perspectiva de garantir o bem-estar individual e coletivo de toda a sociedade. Leia mais Tecnocracia e educação: a utopia político-social saintsimoniana

External evaluation of education and teacher work: The Brazilian case

José Carlos Rothen and Andréia da Cunha Malheiros Santana
This article aims to discuss whether external evaluations are instruments to ensure increased quality of public school education. It is part of a research that investigated how evaluation results and the resulting indices were used in two schools in the state of São Paulo (Brazil). The methodology adopted was the case study, using different methodological tools such as interviews (intended for school coordinators and supervisors), questionnaires (intended for teachers and school directors) and observation of pedagogical meeting schedules. The collected data were analyzed and contextualized from studies by authors such as Afonso (2009), Dale and Robertson (2006), Le Grand (1991) and Neave (1988), among others, who investigated the commodification of education and external evaluations. In conclusion, we noticed that the mere existence of an external evaluation, accompanied by an index, is not sufficient to ensure improved quality of education, as this is done with the participation of parents, a good initial teacher training and investment in their continued training and higher social investments in the communities. External evaluations, contrary to what they promise, have on many occasions enabled increased regulation, ranking and competition, but have decreased the autonomy of schools thereby, reinforcing school inequality. Leia mais External evaluation of education and teacher work: The Brazilian case

Avaliação educacional brasileira na década de 1980: o campo entre duas abordagens

Regilson Maciel Borges e José Carlos Rothen

O artigo analisa a configuração do campo científico da avaliação educacional no Brasil na década de 1980, identificando os agentes que o constituíam e as suas contribuições teóricas sobre a temática da avaliação. Realizou-se uma pesquisa de caráter bibliográfica e documental, associada às estratégias dos estudos bibliométricos e à análise de conteúdo.

Leia mais Avaliação educacional brasileira na década de 1980: o campo entre duas abordagens

Avaliação da educação: referências para uma primeira conversa

Livro Impresso
E-book gratuíto
 

No livro discutem-se as seguintes questões: o que são as avaliações institucionais? Por que sugiram? Para que servem? Qual é a sua importância e os seus limites? Sem pretender esgotar tais questões, este livro pretende abordá-las de uma forma direta e didática, articulando a realidade de diferentes contextos e o potencial de diversos instrumentos avaliativos. Leia mais Avaliação da educação: referências para uma primeira conversa

Uma primeira conversa

 

Em Resumo #30 – Avaliação Escolar

Nesta edição do Em Resumo, Ronaldo Martins Gomes conversa com Prof. Dr. José Carlos Rothen <https://rothen.pro.br/site/>, graduado e mestre em Filosofia, Doutor e Pós-Doutor em Educação, docente do Departamento de Educação e do programa de Pós-Graduação da UFSCar, sobre Avaliação Escolar.📻 95,3 FM💻 radio.ufscar.br/escute📱 Android e iOS: onelink.to/radioufscar#EscuteDiferente #RádioUFSCar

Posted by Rádio UFSCar 95,3 FM on Thursday, November 1, 2018

Em parceria com a Secretaria de Educação a Distância (Sead) da Ufscar estou gravando alguns vídeos de popularização da ciência, expondo os conteúdos do livro  Avaliação da Educação: referências para uma primeira conversa. Leia mais Uma primeira conversa

Avaliação e política institucional: estudo dos indicadores “qualificação docente” na avaliação das “condições de oferta de cursos”

O trabalho é uma contribuição à discussão das implicações das avaliações, promovidas pelo MEC, para o Ensino Superior Brasileiro. A análise é construída a partir do ponto de vista de um administrador de uma Instituição de Ensino Superior com diversos cursos, que pretende inferir do grupo de indicadores “Qualificação Docente” na avaliação das “Condições de Oferta de Cursos” elementos para a elaboração de uma política institucional. Com o objetivo de apontar as dificuldades oriundas da não unificação dos critérios de avaliação das comissões, são utilizadas no estudo as planilhas dos cursos avaliados no ano de 1999. No trabalho discute-se as questões: o quê é avaliado? Quais as mudanças que os indicadores induzem? É possível identificar nesses indicadores critérios para elaboração de política institucional global?

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Avaliação e regulação da Educação Superior: normativas e órgãos reguladores nos 10 anos pós LDB

Gladys Barreyro e José Carlos Rothen

O artigo é a base do Programa de pesquisa. Analisa as mudanças nas competências dos órgãos e agências, no âmbito federal, que desenvolvem as funções de regulação e avaliação da educação superior. A pesquisa tomou como fonte as principais leis, decretos e portarias editadas no período compreendido entre 1995 e 2006. Com o trabalho evidencia-se, a implantação de um modelo de regulação progressivamente centralizado no aparelho do Estado (Ministério da Educação) e nos processos de avaliação que, para executar essas funções, se vale da criação/transformação de agências cada vez mais especializadas. Leia mais Avaliação e regulação da Educação Superior: normativas e órgãos reguladores nos 10 anos pós LDB

Para uma história da avaliação da educação superior brasileira

Gladys Barreyro e José Carlos Rothen

Com o Provão, em 1996, e depois com o SINAES, em 2004, a avaliação passou a ser um elemento central na política de educação superior brasileira. Apesar das influências dos modelos internacionais as duas principais concepções adotadas (a da avaliação com uma visão formativa/ emancipatória e a de regulação/controle) foram delineadas pelos acadêmicos participantes de comissões governamentais do Ministério da Educação durante as décadas de 1980 e 1990. No artigo, analisam-se essas duas concepções e algumas das suas implicações nas políticas atuais. São considerados os documentos oficiais: “Programa de Avaliação da Reforma Universitária” (1983); “Relatório da Comissão Nacional de Avaliação do Ensino Superior” “Uma Nova Política para a Educação Superior Brasileira” (1985), “Relatório do Grupo Executivo para a Reformulação da Educação Superior” (1986). e “Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras” (1993).
Leia mais Para uma história da avaliação da educação superior brasileira

Avaliação da educação superior, reforma do Estado e agências reguladoras nos governos FHC

José Carlos Rothen e Gladys Beatriz Barreyro

Este artigo analisa o conceito de agência reguladora e suas implicações nas políticas para a educação superior durante os governos de Fernando Henrique Cardoso. São revisados os conceitos de regulação e agências reguladoras e sua significação na agenda governamental. As agências reguladoras, no marco da reforma do Estado iniciada nesse governo, inserem-se na proposta de um Estado com menor intervenção na prestação de serviços e com a promoção de atividades privadas. Porém, no âmbito do Ministério da Educação, a ênfase não foi na criação de agências, mas no fortalecimento do Estado avaliador. O Estado foi o mediador entre o fornecedor de educação superior (as IES) e o mercado consumidor, informando à população os resultados da sua avaliação e autorizando o funcionamento das IES Leia mais Avaliação da educação superior, reforma do Estado e agências reguladoras nos governos FHC

O vestibular do provão

José Carlos Rothen

O artigo é uma contribuição ao debate sobre o Exame Nacional de Cursos, aplicado anualmente pelo Ministério da Educação até 2003. Neste trabalho pretende-se mostrar que os conceitos divulgados pelo Ministério da Educação, ao invés de apresentarem a eventual qualidade dos cursos de graduação, a escondem ou distorcem. Para o estudo são utilizados como dados primários as notas de corte para os conceitos “A”, “B”, “C”, “D” e “E” atribuídos, desde 1999, às áreas que são avaliadas por esse instrumento. Ao compararem-se as notas de corte com a nota obtida pelo curso de melhor desempenho de cada área observa-se que há discrepâncias significativas quanto ao desempenho entre as áreas. Leia mais O vestibular do provão

SINAES: do documento original à legislação

José Carlos Rothen e Almiro Schulz

No artigo explicita-se as diferenças entre a proposta da avaliação da educação superior da Comissão Especial de Avaliação da Educação Superior – especialmente constituída pelo governo Lula para esse fim – e a legislação que instituiu Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Conclui-se que o conteúdo da Proposta e da legislação constituiu um avanço por criarem um sistema integrado de avaliação; que as diferenças entre a Proposta e a legislação são conseqüências das concepções da função da avaliação adotadas em cada uma delas – respectivamente, a de formação e a de controle – ; e que uma das causas das diferenças reside no fato de que no período analisado não havia consenso no governo Lula sobre a função que a avaliação deveria atender. Leia mais SINAES: do documento original à legislação

Ponto e contraponto na Avaliação Institucional: análise dos documentos de implantação do SINAES

José Carlos Rothen

O artigo apresenta o resultado da investigação dos documentos produzidos no âmbito do Ministério da Educação que implantaram o SINAES, Adota-se como hipótese de trabalho que a história da avaliação das instituições segue duas vertentes, a da emancipação/formação e a da regulação/controle. O texto inicia com uma breve reconstituição histórica dos processos de avaliação institucional. No segundo momento, são analisados os documentos sobre a avaliação produzidos pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES)/INEP e a proposta do MEC de decreto-ponte que liga a avaliação e a regulação. Concluí-se que o impasse do governo Lula em definir a função que a avaliação deveria atender dificultou a implantação do SINAES.

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“SINAES” contraditórios: considerações sobre a elaboração e implantação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior

Gladys Barreyro e José Carlos Rothen

O artigo trata do processo de elaboração e implantação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Mostra-se que, na lei que o institui, estão presentes concepções antagônicas de avaliação e que essa recebe influências díspares como a do Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB) e a do Exame Nacional de Cursos (ENC). Conclui-se que o SINAES tem o mérito de sinalizar uma mudança na concepção da avaliação com foco no mercado para a ênfase na melhoria da qualidade. Contudo, a indefinição do modelo de avaliação adotado mostra as oscilações da política de educação superior do governo Lula. Leia mais “SINAES” contraditórios: considerações sobre a elaboração e implantação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior

Avaliação da educação superior no segundo governo Lula: “provão II” ou a reedição de velhas práticas?

José Carlos Rothen e Gladys Beatriz Barreyro

A elaboração e a implantação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) foram marcadas por percalços e embates nos bastidores do governo Lula. Verifica-se que atos normativos e diretrizes mostravam contradições entre si. Em 2008, contrariando a expectativa de que o SINAES teria papel central na regulação, foram criados dois índices com esse fim: o Conceito Preliminar de Cursos (CPC) e o Índice Geral de Cursos (IGC). A criação de um instrumento simplificado de avaliação para a regulação, a utilização de ranques e o uso intensivo da mídia resgatam práticas centrais da política da educação superior do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Tendo como objetivo a identificação das continuidades e rupturas entre os dois governos, discute-se aqui a hipótese de que a adoção dos índices responde à obrigação herdada de regular o sistema pela via da avaliação, pois – apesar da inclusão social proposta pelo governo – a lógica privatizante continua.

Leia mais Avaliação da educação superior no segundo governo Lula: “provão II” ou a reedição de velhas práticas?

#EleNão #EleSim

O fenômeno Bolsonaro: a encarnação do antipetismo

O que teria feito surgir o fenômeno Bolsonaro? Segundo as pesquisas eleitorais, ele terá muitos votos e, ao mesmo tempo, apresenta grande índices de rejeição. Mas o que teria levado ao seu surgimento? Pensei em perguntar, informalmente, aos meus conhecidos as razões para votar em Bolsonaro, contudo nenhum deles manifestam que irão votar nele. Na busca de uma resposta comecei a resgatar, na minha memória, os acontecimentos políticos dos últimos anos, os quais foram campo fértil para o surgimento de uma candidatura forte. Leia mais #EleNão #EleSim

Imprensa, eleições e imparcialidade

A imprensa como formadora de opinião é um ator importante nas relações sócio-políticas. Uma das bases para a formação da opinião das pessoas são as informações que elas recebem sobre determinados fatos e a interpretação de outros sobre os mesmos. A imprensa cumpre o papel de formadora de opinião ao levar até o leitor informações e as suas interpretações dos fatos. As interpretações estão presentes tanto no editorial, no qual o jornal expressa abertamente a sua visão, quanto na seleção e na forma como os fatos são divulgados. Leia mais Imprensa, eleições e imparcialidade

Teto dos gastos e a ciência: o orçamento da CAPES

É possível ciência, tecnologia e desenvolvimento com o limite dos gastos públicos? “Que país querem” com os cortes do orçamento da CAPES?

No dia 02/08 a Presidência da CAPES divulgou carta pública ao Ministério da Educação informando que o orçamento da agência para 2019 permitirá que somente até agosto sejam honrados os pagamentos das bolsas para pós-graduandos e para professores da educação básica. Este fato é decorrência da aplicação da emenda constitucional que limita os gastos públicos. Leia mais Teto dos gastos e a ciência: o orçamento da CAPES

Análise crítica do modelo de avaliação brasileiro

Durante a década de 1990, a avaliação da educação superior era a principal política pública para este setor. A partir da previsão legal da realização do Exame Nacional de Curso (Provão), em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, as avaliações se tornaram visíveis à sociedade brasileira. A questão da qualidade da educação superior e a defnição dos melhores instrumentos para medi-la esteve presente tanto no governo, como nas Instituições de Educação Superior e até na imprensa em geral. No texto se faz um resgate histórico das políticas de avaliação visando compreender a constituição do Sinaes. Leia mais Análise crítica do modelo de avaliação brasileiro

Percurso da avaliação da educação superior nos Governos Lula

Gladys Barreyro e José Carlos Rothen

O texto analisa a política de avaliação da educação superior desenvolvida durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Trata-se de uma pesquisa documental que utiliza a legislação e documentos oficiais do período como principal fonte de informação. O ponto de partida foi mostrar que o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) implicou uma mudança na lógica da avaliação imperante. Para tanto, recupera-se o percurso da criação do SINAES, sua implantação e seus desdobramentos, distinguindo-se quatro fases: a) a proposta de uma nova política; b) a criação de legislação para alavancá-la; c) a implantação da lei; e d) a volta à lógica da política anterior (Provão), com a inclusão de índices. Conclui-se que o SINAES tentou empreender uma mudança na lógica de avaliação instituída desde o Provão, acrescentando três eixos na avaliação do sistema: a) a avaliação institucional com autoavaliação, em que se recupera o paradigma da avaliação formativa, b) a avaliação de cursos; e c) a avaliação dos estudantes, eliminando o Provão, mas criando uma prova em larga escala com outras características – o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). Contudo, em sua implantação, o SINAES sofreu profundas transformações a partir da criação do Conceito Preliminar de Cursos (CPC) e do Índice Geral de Cursos (IGC), que foram incorporados ao final do segundo Governo Lula. Os resultados do ENADE são seu componente de maior peso, mostrando que a lógica de regular o sistema pelos resultados de uma prova continua em vigor. Leia mais Percurso da avaliação da educação superior nos Governos Lula

Avaliação, agências e especialistas: padrões oficiais de qualidade da educação superior

O texto discute a questão do estado avaliador/ regulador no Brasil após a LDB/1996, focalizando as agências e instituições que julgam e definem os padrões de qualidade da educação superior (graduação). No início do governo FHC, a definição destes padrões ocorria no âmbito do MEC, pelas Comissões de Especialistas e, depois, pelo INEP. No governo Lula, foram criadas instâncias com o papel de coordenar a avaliação, sendo a definição dos critérios de qualidade, de competência das Secretarias do MEC e da CONAES. Assim, durante todo o processo pós-LDB, a definição da qualidade foi realizada por acadêmicos, reunidos em diversas comissões, que se foram formalizando e institucionalizando, visando à legitimação da avaliação pela profissionalização. Leia mais Avaliação, agências e especialistas: padrões oficiais de qualidade da educação superior

O Nupes e a avaliação da educação superior: concepções, propostas e posicionamentos públicos.

As ideias do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Ensino Superior (NUPES) tiveram forte influência nas políticas para Educação Superior, nas duas últimas décadas. A comunicação visa explicitar e discutir as concepções de membros do Núcleo sobre avaliação da educação superior. Analisa-se a produção acadêmica sobre avaliação e os depoimentos de Durham, de Goldemberg e de Schwarztman. Identifica-se que, para o NUPES, a avaliação da educação superior deveria ser baseada em indicadores objetivos, participação e avaliação por pares; contextualizada na sua visão de Educação Superior: diferentes modelos institucionais, competitivos, com diversidade de funções e identidades, abertos às demandas da sociedade e com financiamento vinculado ao desempenho institucional. Concluí-se que, para o NUPES, a avaliação é um instrumento que permitiria às instituições decidirem como atender as demandas externas. Nessa concepção, a autonomia universitária reduz-se à decisão de como a educação superior se submeterá às demandas externas Leia mais O Nupes e a avaliação da educação superior: concepções, propostas e posicionamentos públicos.

A educação superior em prova: o perfil da educação superior apresentado pelos resultados do Enade 2005 e 2006

Este artigo tem como objetivo discutir se a educação superior brasileira cumpre o papel de democratizar as oportunidades ou, ao contrário, aumentar as diferenças entre os indivíduos. Para isso, analisam-se os resultados do Enade 2005 e 2006, compara-se o desempenho dos alunos ingressantes com o dos concluintes. Com o estudo observa-se que nas questões de formação profissional o desempenho dos concluintes é superior ao dos calouros. Contudo, verifica-se que o desnível cultural científico dos egressos é maior do que dos ingressantes, a tal ponto que a maioria dos concluintes não consegue elaborar uma resposta às questões discursivas de sua formação profissional. Conclui-se que os resultados do Enade reforçam a ideia de que a superação da elitização da educação superior brasileira não se resolve apenas ampliando o acesso, mas principalmente na qualificação da permanência do aluno. Leia mais A educação superior em prova: o perfil da educação superior apresentado pelos resultados do Enade 2005 e 2006

A “RAIES” e a Revista Avaliação a construção de um marco teórico, político e metodológico

José Carlos Rothen e Gladys Beatriz Barreyro

O texto estuda o “saber” produzido por um dos grupos da rede de poder que criou as políticas de avaliação da educação superior brasileira, reconstruindo o regime de verdade que regula a distribuição dos enunciados na visão emancipatória da avaliação. Ou seja, tendo como referência Foucault: o conjunto de procedimentos regulados para a produção, a repartição, a circulação e o funcionamento dos enunciados. Toma-se como fonte a produção acadêmica publicada na Revista Avaliação pelos membros da Rede de Avaliação Institucional da Educação Superior (RAIES), no período 1996-2002 que é complementada com entrevistas realizadas a membros do grupo. Concluise que a rede elaborou e instituiu um discurso sobre a existência de uma concepção de avaliação: institucional, formativa, participativa, desenvolvendo os seus fundamentos e elaborando uma teoria dessa visão da avaliação. Essa concepção foi colocada como alternativa e contraposição ao Exame Nacional de Cursos, instaurando uma dicotomia entre duas visões de avaliação: a da avaliação institucional formativa/emancipatória e a de desempenho/resultados. Leia mais A “RAIES” e a Revista Avaliação a construção de um marco teórico, político e metodológico

A Revista Avaliação

No contexto da Reforma do Estado promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, ocorreu forte expansão da educação superior via iniciativa privada. O Exame Nacional de Cursos (Provão) foi concebido como mecanismo do controle da qualidade dos cursos de graduação via mercado. No governo Lula, criou-se o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) que, na sua proposta original, afastar-se-ia da concepção do Provão, mas que, na sua implantação, acabou por criar mecanismo
que o reforçou. O artigo resgata o posicionamento dos formuladores do SINAES sobre o seu processo de implantação e, como fonte, utiliza-se dos artigos publicados na Revista Avaliação, entre os anos de 2003 e 2010. Leia mais A Revista Avaliação

A estrutura do trabalho científico

O objetivo deste episódio é tratar a respeito da estrutura do texto acadêmico, o primeiro ponto a ser considerado são as realidades essenciais para que a redação do texto aconteça para isso as leituras, reflexões e pesquisas são indispensáveis.

Leia mais A estrutura do trabalho científico

Encruzilhadas da organização educacional : conceito de administração, de gestão e de gerencialismo na RBPAE

Autora: Ana Lucia Calbaiser da Silva

Tese de doutorado defendida na UFSCar em 29/02/2012

O objetivo deste trabalho é explicitar e categorizar os conceitos de Administração da Educação, de Gestão Democrática e de Gerencialismo presentes na Revista Brasileira de Política e Administração da Educação (RBPAE) no período de 1995 a 2004. Leia mais Encruzilhadas da organização educacional : conceito de administração, de gestão e de gerencialismo na RBPAE

O discurso sobre políticas educacionais presente na revista educação & sociedade (1978 – 1988)

Autora: Ana Lucia Calbaiser da Silva

Tese de doutorado defendida em 28/06/2016

O objetivo deste trabalho é investigar os discursos da comunidade acadêmica sobre políticas públicas educacionais, que foram produzidos no Brasil, no período marcado pela transição do regime militar para o regime democrático. Leia mais O discurso sobre políticas educacionais presente na revista educação & sociedade (1978 – 1988)

Meta-avaliação das políticas de cotas : um estudo de processos nas universidades estaduais paranaenses

Autora Andreliza Cristina de Souza

Tese de doutorado defendida na UFSCar em 21/03/2018

Esta tese realizou uma meta-avaliação da política de cotas em universidades públicas estaduais paranaenses. O objetivo geral foi analisar os processos avaliativos da política de cotas das IES quanto às semelhanças e diferenças, potencialidades e limites, estratégias e procedimentos utilizados. Leia mais Meta-avaliação das políticas de cotas : um estudo de processos nas universidades estaduais paranaenses

Dermeval Saviani : professor intelectual

Autora :Claudia de Carvalho Cosmo Almeida

Tese de doutorado defendida na UFSCar em 15/12/2015

O trabalho tem como tema a vida e a trajetória acadêmica de Dermeval Saviani e suas contribuições para o debate educacional no Brasil, a partir da consideração de que ele se constituiu em um intelectual propositor. Leia mais Dermeval Saviani : professor intelectual